ARTE x Impressão Fine Art

ARTE   x   Impressão Fine Art

Arrisco um brevíssimo comentário sobre uma questão recorrente no cotidiano de fotógrafos amadores e profissionais : impressão fine art.

Ao longo da história da arte criaram-se várias classificações para a expressão artística conforme diversos critérios ao sabor das demandas de cada época. Uma das mais conhecidas popularizou-se durante o final do século XIX na Inglaterra ( e dela fazemos uso até hoje ) : fine arts X applied arts.

Em temerosa transposição para a língua portuguesa teríamos : artes liberais x artes aplicadas. Sendo arte liberal aquela em que a obra de arte seria desvinculada de qualquer utilidade prática, e por oposição, arte aplicada aquela em que a função do objeto é claramente percebida e desejada. Grosso modo, temos de um lado ARTE (fine art) e do outro, objetos utilitários .

Uma imagem fotográfica fine art é, portanto, sinônimo de um trabalho de cunho exclusivamente artístico, que foi concebido com a disciplina e o rigor exigidos pela ARTE, que carrega consigo um conceito e uma proposta de interação com o seu público.

Uma imagem fotográfica fine art mereceria um suporte à sua altura. Para isso desenvolveram-se técnicas de impressão elaboradas, maquinários que conseguem grande precisão e detalhamento, utilizando materiais sofisticados e suportes de alta qualidade. Convencionou-se chamar toda essa tecnologia de “impressão fine art”, porque  seria a mais adequada para garantir a fidelidade e durabilidade (entre outros parâmetros) da cópia impressa de uma imagem fine art. Por interesse deste mercado difundiu-se a ilusão de que tais impressões fine art conferem qualidade artística a qualquer imagem fotográfica que delas se utilize.

Entretanto, um trabalho inspirado e inspirador pode ficar bem apresentado sobre materiais e mídias menos nobres e não tão caros.  Algumas vezes, o autor/artista da imagem fine art busca sustentá-la em materiais alternativos e/ou propositalmente desvalorizados tornando o suporte parte definidora e fundamental da sua obra. É lógico que o aspecto final da obra não pode comprometer o seu conceito, sendo assim, o autor é quem deve decidir se a proposta artística que o motivou permanece atuante na forma de apresentação do seu trabalho. E, se for o caso de uma avaliação negativa, considerar novas possibilidades de estruturação do mesmo, talvez lançando mão dos recursos da dita “impressão fine art”.

Mas é preciso aceitar o fato de que uma impressão e um suporte dispendiosos e sofisticados não transformam uma imagem banal  e descartável em fine art, ou ARTE, simplesmente.

Setembro de 2011, Lourdes Valle.

Sou um capixaba neófito…

Mudei-me pra Vitória há pouco tempo e ando descobrindo coisas bem interessantes. E ficando apaixonado pelo que tenho visto.

É certo que tenho estranhado a calmaria, as pessoas sorrindo e dando bom-dia, os poucos sinais de trânsito, os táxis só em pontos específicos, as rotatórias ou “pirulitos” (desconfio que seja uma gozação com o carioca aqui) e, principalmente, as faixas de pedestre. Essa eu explico. Me disseram que é só pisá-la que o motorista  lhe dá passagem. Sério? Descrente fui ver pra crer e não é que era verdade.

Bom, quero dizer que, apesar de ter visto e comprovado, ainda tenho lá meus receios de atravessar assim, sem mais nem menos.

Como bom carioca paranóia é o que não me falta. Digo pra vocês na maior sinceridade: na minha ex-cidade passam por cima de você e nem param pra ver o estrago. E quando não se é atropelado e se consegue pular de banda, ainda lhe xingam de babaca. É o espírito, não digo carioca, mas de uma grande parcela do povo de Pindorama.

Então fico naquela dúvida E se o cara não frear e parar a tempo? E se o cara não for capixaba e não souber que pedestre tem preferência? E se…?

Então vou de mansinho: olho prum lado e pro outro, finjo que vou e espero o de quatro rodas parar. Seguro morreu de velho, dizem por aí.

Mas confesso, humildemente, fiquei admirado com essa finesse capixaba. Testei várias faixas pela cidade e até agora tem dado certo. Tanto é que estou aqui escrevendo minhas impressões sobre a ilha e não estou em nenhum pronto-socorro.

E falando sobre impressões hoje dei uma caminhada pela parte velha da cidade, ali pelos lados da Catedral. Em qualquer cidade da Europa aquelas ladeiras, aquele bucolismo seria um centro de turismo supervalorizado.

Querem ver outra coisa. O Malecon em Havana, Cuba, só é bonito em fotografia. E com photoshop. Sujo e quebrado, ele é vendido como uma das maravilhas da ilha, além do tio Fidel por supuesto. No entanto, aqui em nossa ilha-vitória temos a Beira-mar que termina (ou começa) no porto. Coisa mais linda e poética – tirando o antigo terminal aquaviário que está todo dilapidado – mas ainda sem uma infraestrutura adequada. Uns quiosques transados por ali pegariam bem, não?

Aí eu pergunto: cadê o turismo que não vende um pacote desses? A palavra agora é revitalizar. Então, que se revitalize.

Há mais coisas que gostaria de ir escrevendo sobre Vitória, minhas andanças e experiências nessa cidade que me adotou… Inté!

(Duayer)

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